tenho medo dos olhos, vergonha dos olhos que nos observam.
a exposição esta centrada em desenhos feitos com caneta esferográfica preta sobre papel branco. através destes instrumentos do nosso cotidiano expresso uma visão particular do mundo. não a realidade como a conhecemos com seus traços retos sua correria e a loucura do dia-a-dia, mas sim a verdade, uma nova verdade.
somos todos alvejados por informações e sentimentos entre nossas relações inter-pessoais, a todo o momento nos recriando e reformulando. pessoas, objetos, matéria, coisas, soluções, dúvidas... almas perdidas ou não , tudo se resolve em encontros. assim, nunca somos o que éramos há um minuto atrás. com estes desenhos mostro pequenos momentos de transformação entre inúmeras pessoas, e eu mesmo. somos o que somos, resultado do efeito de tantas informações e sonhos mutáveis. estes desenhos são apenas momentos retratados em papel.
a caneta esferográfica é um dos mais comuns utilitários do cotidiano e serviu perfeitamente para inserir no papel as visões de um olhar atento. o papel entra como um suporte básico, não apenas para a criação mas também para o homem em si.
e os olhos continuam a nos observar. ou eu os observo?